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Cilene Victor

Professor and Coordinator

Faculdade Cásper Libero Expertise:  Disaster risk communication, including risk perception, community mobilization and the role of media and press to make of risk communication an important tool to build more resilient societies.

Cilene Victor is a journalist of science and environmental issues, post graduated in Applied Communication on Public Health, master in Scientific and Technological Communication by Metodista University and doctor in Public Health by University of São Paulo. She is a professor in the courses of Journalism and Public Relations at Cásper Líbero College, where coordinates the Interdisciplinary Research Center. Since the beginning of her doctorate, in 1996, she has studied and researched on risk communication and since 2001 with focus in disaster risk communication. As a consultant in this field, has been working for national and international institutions. For two years, between 2009 and 2011, she was teacher responsible for the training workshops on disaster risk communication for journalists, scientists, community leaders, fireman and agents of protection and civil defense. The course was offered in the 27 federal units of Brazil, capacitating more than 2 thousand multipliers on risk communication.

Four risk communications models: the role of each social actor

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QQuestion by Ms Antonio Roberto Chiachiri

Dear Professor,

How communication, in general, may contribute to the prevention of environmental disasters?

Ms Antonio Roberto Chiachiri Vice-Director | Faculdade Cásper Líbero
Brazil

APosted on 18 May 2015

Dear Roberto Chiachiri,

First of all, thank you very much for your question. 

Risk communication is an important tool of disaster risk reduction (DRR), specially because through it is possible to build resilience behavior within societies. Many disasters cannot be avoided, but their impacts can be minimized when the population is resilient. 

The role of risk communication is not only the dissemination of information but also to be used as a social process that makes possible the exchange of opinions, impressions between the different publics, specially between the exposed population and the public agencies responsible for DRR.

I designed four different risk communication models because each one has its goal, objective, public, channel, message and language, but the sum of these four models results in an effective risk communication, whose main goal is to share information and knowledge to save lives. 

I hope my answer can be useful. 

QQuestion by Ms Ricardo Nascimento

No Brasil, informações importantes como mapas de risco e os alertas de desastres naturais gerados pelo CEMADEN, não estão disponíveis para a população, apesar da existência da Lei da Informação (12.527/2011)

Qual seria a importancia de uma ampla e irrestrita divulgação desses dados (mapas de risco e alertas) para a preparaçao das populaçoes em areas de risco de desastres naturais?

Ms Ricardo Nascimento Cidadao Brasileiro | Sem organizaçao
Brazil

APosted on 18 May 2015

Prezado Ricardo Nascimento,

muito obrigada pelo contato e pela excelente pergunta. 

Embora tenhamos mecanismos legais que garantam o acesso à informação, os dados e as informações produzidas pelo Cemaden dificilmente seriam decodificadas pelo público geral. 

O Cemaden produz uma informação valiosa, fundamental para fomentar as tomadas de decisão daquele que está na ponta do processo, ou seja, a população exposta ao risco, mas neste caso, há outros interlocutores que assumem a função de fazer chegar a informação produzida pelo Cemaden à população das áreas de riscos, por exemplo.

A leitura dos mapas de risco e a posição diante de um determinado alerta já são desafiadoras para os gestores municipais, coordenadores e agentes das defesas civis (Estado e municípios), então podemos perceber quão difícil seria fazer essa comunicação com o público mais amplo, sem propagar rumores, sem promover o pânico e o medo na população. 

Assim, as defesas civis e os gestores municipais, como um todo, devem assumir esse papel de reduzir o abismo entre essa produção de conhecimento e de informação e a população que precisa dela para tomar decisão. 

A divulgação dos dados, das informações sobre os riscos, não deveria restringir o público, mas as populações, sobretudo aquelas das áreas de riscos, que já encontram-se sob determinada tensão, medo e angústia, precisam ser devidamente preparadas. Infelizmente, pouco tem sido feito para que essa audiência esteja em condições de lidar com esse tipo de informação. 

Tem algumas iniciativas que podem ser melhoradas, mas já representam um passo importante. 

A Prefeitura de São Paulo disponibiliza em seu portal uma página denominada “Áreas de Riscos”, na qual divulga o endereço e o tipo de riscos mapeados pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) no município.

Há uma tabela com o número de áreas de riscos por região/bairro. Ao clicar em cada Subprefeitura, o visitante da página saberá em que comunidade ou rua está o risco, além de conhecer qual o tipo de risco. A informação é bem simplificada: onde está o risco e qual é o risco. 

Essa informação está disponível, é pública, mas minha dúvida é se, apesar de realizar atividades com a comunidade, segundo relato na página da Prefeitura, a população tem feito uso dessa ferramenta. 

Acho que essa iniciativa poderia nos ajudar com algumas respostas, mas não sei se temos como afirmar se esse acesso à informação provocou comportamentos mais resilientes. A comunicação de riscos demanda mudanças de atitude (cultura), e isso não é alcançado apenas com disseminação de dados e informação.

E os gestores públicos particularmente gostam de confundir disseminação de informação com processos de comunicação. 

O seu questionamento é mais que legítimo, pois nos casos de risco iminente, por exemplo, o tempo será determinante, mas sem o preparo das comunidades a informação continuará sob controle dos gestores locais.

Precisamos acompanhar o ciclo de vida das informações sobre os riscos, incluindo os alertas. 

Espero que minha resposta seja útil. 

QQuestion by Mrs TELMA NERY

Historicamente temos Desastres envolvendo chuvas, enchentes, deslizamentos nas mesmas regiões/cidades/bairros. Dados epidemiológicos contribuem nas análises históricas e adoção de medidas preventivas visando segurança da população. Sugestões de como a área da saúde (vigilancia em saude, vigilancia ambiental, atenção a saúde)pode utilizar a comunicação de risco nos períodos específicos?

Mrs TELMA NERY Diretora Divisão | Centro de Vigilancia Epidemiologica SES SP
Brazil

APosted on 18 May 2015

Prezada Telma Nery,

muito obrigada pela pergunta. 

Perfeito o seu registro, pois as séries históricas dos desastres no Brasil evidenciam que muitos deles têm endereço fixo: ocorrem nas mesmas regiões, estados, cidades e bairros e acometem, raras exceções, os mesmos grupos da população. 

Para responder a sua pergunta com foco na comunicação, desconsiderando, neste caso, a falta de vontade política para reverter a situação, vejo que no Brasil temos produzido muitos dados sobre essas ocorrências, mas muitos não foram traduzidos como informação e, menos ainda, transformados em conhecimento para o público em geral. Os bancos de dados parecem pertencer às instituições responsáveis e não à sociedade, o que é um grande erro cometido no país. 

Como estamos diante de uma questão multifacetada, o que demanda uma abordagem transdisciplinar, os bancos de dados precisam envolver várias instituições. 

Para torná-los acessíveis à população, que precisará aprender a lidar com eles, o poder público deve viabilizar, antes de tudo, a comunicação entre as diversas instituições envolvidas, ou seja, promover o modelo interinstitucional de comunicação de riscos, deixando todas as diferenças político-partidárias de fora dessa iniciativa. 

Depois de vencido o desafio do diálogo entre as diversas agências públicas, por exemplo, os portais e as mídias sociais dessas instituições terão um importante papel na redução do abismo entre elas e a população. 

Os bancos de dados devem usar linguagens específicas para cada um dos públicos. Para a população em geral, mecanismos de interatividade são fundamentais, com uso de mapas nos quais a população identifica o seu bairro, a sua rua, a sua comunidade, as informações sobre quem procurar, a quais instituições recorrer, como se proteger, como ser verdadeiramente resiliente etc. 

Basicamente, é necessário explorar os quatro modelos de comunicação de riscos, com ênfase no Interinstitucional e no Comunitário, claro, sem subestimar o papel da mídia como parceira.

Tem uma iniciativa na Alemanha que gosto particularmente, é o Federal Institute for Risk Assessment (BfR). Eles têm uma excelente política de comunicação de riscos, embora não seja contemplada a população, ela está lá representada por outros stakeholders (www.bfr.bund.de).

Em suma, a melhor maneira de usar a comunicação de riscos é apostando no diálogo entre as diversas instituições e, com o seu amadurecimento, partir para o diálogo com a população, baseada na transparência, na credibilidade e na confiança. 

Espero que a minha resposta seja útil. 

QQuestion by Mrs telma nery

Trabalhamos com vigilancia em saude de população exposta /potencialmente exposta eventos ambientais. Tivemos incêndio durante 9 dias COM gasolina e etanol próximo área portuária Houve mortandade 10 toneladas de peixe. Situação envolve população de 4 municípios, utilizam pesca subsistência. Sem relatos dados contaminantes. Sugestões para desenvolver medidas comunicação de risco para população?

Mrs telma nery Diretora Divis"ao | Secretaria Estadual Saude SP
Brazil

APosted on 18 May 2015

Prezada Telma Nery,

muito obrigada pelo relato e pela pergunta. 

Acompanhei o caso citado e, com base na minha experiência com desastres análogos, acredito que as medidas de comunicação de riscos devam focar em duas frentes: informação e conscientização da população. Para isso, os dois modelos de comunicação de riscos “Midiático” e “Direto/Comunitário” são os mais apropriados, embora ambos sejam decorrentes dos outros dois (Intrainstitucional e Interinstitucional).

Em determinados momentos do pós desastre, precisamos recorrer ao poder de onipresença dos meios de comunicação, principalmente da imprensa local e, melhor ainda, quando houver, dos meios comunitários ou da mídia social de alguma liderança comunitária. 

O poder de alcance dos meios de comunicação pode ajudar na divulgação de informações sobre a contaminação, sobre os riscos aos quais a população está exposta, por exemplo, mas sabemos que a conscientização dependerá de abordagens mais diretas. 

Concomitantemente, deve-se investir no modelo de comunicação de riscos amparado no face a face, no contato direto entre as agências públicas, por exemplo, e as comunidades para as quais a mensagem deve chegar e provocar sentidos - mudança de atitudes, conscientização etc.  

Muitas vezes, esse modelo depende das lideranças comunitárias, que precisam ser identificadas e nelas despertada a predisposição para ser o principal interlocutor das mensagens de informação e esclarecimento sobre o problema. 

Nesses contextos, educadores e  religiosos locais desempenham um importante papel de interlocutores. A escola, assim como os templos religiosos também são espaços importantes para possíveis conversas com grupos maiores da comunidade. Câmaras técnicas em espaços políticos não são muito bem aceitas pelas comunidades, uma vez que existe um desgaste do poder público após um desastre. 

Elaborei um passo a passo para cada um dos modelos, se considerar útil posso encaminhá-lo. 

Se eu puder ajudar, estou à disposição. 

QQuestion by Ms JEFFERSON LUCIO LIMA DA SILVA

Como a Senhora a avalia o poder público brasileiro quanto ao gerenciamento de desastres? O Brasil tem avançado em relação as respostas ao desastre? Por fim, como somos visto numa perceptiva mundial?

Ms JEFFERSON LUCIO LIMA DA SILVA MILITAR | CIOSP/RN
Brazil

APosted on 17 May 2015

Prezado Jefferson Lima, 

muito obrigada pela pergunta. 

Você está focando no gerenciamento dos desastres e não na gestão de riscos, correto? 

Para responder, gostaria de pedir licença para fazê-lo a partir da minha experiência jornalística. Durante muitos anos, ao cobrir pautas relacionadas a desastres, ouvi representantes do poder público brasileiro dizerem que o país estava preparado para resposta e que o fazia com muita competência. 

Quando analisamos esses argumentos mais a fundo, percebemos que o poder público, de maneira equivocada,  fazia referência ao elementar de uma resposta. Agilidade no levantamento e envio de doações e na criação de abrigos temporários, por exemplo, era um dos grandes trunfos anunciados pelo poder público. 

Para quem atua na área, sabe que um desastre é muito mais complexo, que afeta de maneira intensa a vida das pessoas e da localidade. E quantos desastres não têm provado isso? No passado recente, vimos muita falta de logística, inclusive de comunicação, pouco cuidado com os abrigos, com o princípio da dignidade da pessoa humana, entre outras questões relevantes. 

Nos últimos anos, no entanto, com uma abordagem mais plural e multifacetada em relação à resposta, podemos dizer que houve um avanço, mas o problema continua sendo a ausência de políticas públicas de prevenção. 

Segundo dados da última Pesquisa de Informações Municipais (Munic), de 2013, realizada pelo IBGE, 48% dos municípios brasileiros não tinham nenhum instrumento de gestão de riscos ou prevenção de desastres. Logo, não é possível esperar uma boa resposta aos desastres vinda de municípios que subestimam os impactos desses desastres. 

No cenário global, principalmente quando consideramos a facilidade de acesso a banco de dados, a séries históricas e a tantas informações, um país que ainda foca na resposta e o faz de maneira caseira está na contramão. 

Neste momento, estamos vivendo alguns desastres, como estiagem acentuada no Sudeste e chuvas no Norte. A resposta a esse tipo de desastres, cujos impactos são diluídos no tempo, principalmente no caso da estiagem, é ainda muito primário. 

Espero ter conseguido responder a sua pergunta. 

QQuestion by Ms Fernanda Matricardi

Professora,

Como é possível viver nesse mundinho corporativo do jornalismo atual no Brasil, no qual as pessoas estão mais preocupadas com os próprios nomes e umbigos, sabendo que existe tamanho sofrimento no mundo? O que eu, como estudante de jornalismo, posso fazer para ajudar essas pessoas?

Adoraria tomar um café com você e discutir o assunto. Levo uma paçoca!
Um beijo, Fernanda

Ms Fernanda Matricardi Estudante | Faculdade Cásper Líbero
Brazil

APosted on 17 May 2015

Querida Fernanda,

muito obrigada pela pergunta que, embora muito difícil e desafiadora, tentarei buscar um caminho para respondê-la. 

Costumo dizer que a pauta sobre riscos de desastres é uma pauta invisível aos olhos dos jornalistas, principalmente quando ficam presos dentro de uma redação, tentando ver o mundo pela tela do computador. 

Esse tipo de pauta só pode ser visto quando nós jornalistas nos afastamos um pouco do computador e andamos pelas nossas próprias cidades, observando o dia a dia das pessoas. 

Especificamente sobre redução de riscos de desastres, ainda há muito desconhecimento por parte dos jornalistas, especialmente na América Latina. Muitos, por exemplo, ignoram a iniquidade na distribuição dos riscos. Os desastres no Brasil, raras exceções, vitimam os mais vulneráveis, são mulheres, negros, pobres, idosos e crianças as principais vítimas. 

Não acredito que nenhum jornalista conseguiria ser indiferente diante desse tipo de informação. Para tentar responder a sua questão, atribuo o problema à falta de conhecimento e informação dos jornalistas. Falta habilidade e informação para enxergar os fatos silenciosos e invisíveis. 

Com base na minha experiência de 20 anos de sala de aula, acredito ser possível reverter esse quadro investindo na formação dos jornalistas e isso pode começar ainda nas faculdades, nos cursos de jornalismo. 

A oferta de cursos de extensão e de especialização, por exemplo, poderia fazer a diferença. Há um grande equívoco em achar que jornalista não precisa se especializar em nada, que jornalismo é jornalismo e quem cobre bem economia, cobre bem política, que cobre bem esporte e ciência etc. 

O mundo está demasiadamente complexo para acreditarmos que o jornalista generalista conseguirá fazer boas coberturas. Precisamos derrubar os estereótipos que envolvem as especializações porque conhecimento a mais não pode ser questionado. 

Devo salientar que quando falo em especialização referi-mo ao seu sentido mais amplo, não apenas pelo caminho formal. A leitura e o interesse pelo assunto também ajudam bastante. 

Você quer fazer alguma coisa, quer ajudar as pessoas mais vulneráveis aos riscos de desastres e a sua ferramenta é o jornalismo? Então, comece contando a história dessas pessoas. Resgate a dimensão humana dos fatos e conseguirá dar a sua contribuição. Desastres não matam milhares de pessoas, como sempre escrevemos em nossas matérias. Desastres matam pessoas que são mais do que números. 

Muito obrigada pela pergunta! 

QQuestion by Ms Rose Alencar

Tenho problemas com casas em área de risco. Aqui no Brasil, os bairros são de responsabilidade do Governo Municipal e as comunidades são de responsabilidade do Governo Estadual. O problema é que as residências ficam dentro de um bairro, mas em uma ocupação, O município diz que é comunidade e o estado diz que é bairro. Ninguém tira as casas de risco. Quem devo procurar? ONU?

Ms Rose Alencar Presidente | Favores On Line
Brazil

APosted on 16 May 2015

Prezada Rose, 

muito obrigada pela pergunta.

A situação citada é bastante intrigante, mas já temos alguns meios para os devidos encaminhamentos, o que também passa pelo acesso à informação, um direito das comunidades.

O primeiro passo é levantar os documentos que comprovam tratar-se de uma área de risco. Se ela foi mapeada como de risco, quando esse mapeamento foi feito e por qual instituição - essa é uma informação pública, não pode estar dentro da gaveta de nenhum gestor. 

Se ainda não há uma avaliação desse risco, mas ele é perceptível pela comunidade, por exemplo, vocês têm toda a razão para se preocupar e, inclusive, solicitar uma vistoria, uma análise desse risco. 

O segundo passo é verificar o raio desse risco, ou seja, se ele atinge toda a comunidade ou parte dela, o que facilitará o diálogo com os moradores e evitará a ampliação do problema. 

Os passos em diante dizem respeito ao direito dos moradores de obterem informações que preservarão suas vidas. Neste caso, as defesas civis do Estado e do Município devem ser procuradas por representantes dessa comunidade. Se não houver diálogo, o caminho é procurar o Ministério Público. 

Muitas vezes as comunidades procuram a imprensa para dar visibilidade ao problema e, assim, forçar resposta do poder público. Isso pode ser feito, mas somente se todas as portas foram fechadas e se realmente o veículo jornalístico for idôneo, sério e disposto a construir uma narrativa responsável sobre o fato. Sensacionalismo e alarde só vão angustiar ainda mais essa comunidade. 

Quanto ao fato de a área ser ocupada, precisamos saber se essa ocupação foi legitimada pelo poder local. Fechar os olhos para uma ocupação já é uma forma velada de legitimá-la. Assim, o poder municipal é responsável. 

Tenho muito interesse em poder ajudá-la nesse caso. Por favor, deixe-me saber mais sobre a situação. 

Espero que a minha resposta possa ajudá-la na condução desse problema. 

QQuestion by Ms André de Freitas Machado

Sabemos que a melhor maneira de reduzir desastres e suas consequências é preparando a comunidade que vive nas áreas de risco a lhe dar com a situação de risco. Estamos tentando implantar os NUDEC's em minha cidade, mas estou com grande dificuldade de mobilização comunitária. Poderia me orientar qual a melhor maneira de mobilizar a comunidade e sensibiliza-la para a importância do NUDEC?

Ms André de Freitas Machado Agente de defesa civil | Prefeitura
Brazil

APosted on 16 May 2015

Prezado André Machado,

muito obrigada pela pergunta, que tentarei responder dentro do possível, uma vez que precisaria de um pouco mais de detalhe sobre que tipo de dificuldade você tem enfrentado para mobilizar a comunidade. 

Antes de tudo, devo cumprimentá-lo pela iniciativa. Você está no caminho certo ao reconhecer o protagonismo que as comunidades devem assumir no contexto da redução de riscos de desastres e, de fato, o NUDEC é o primeiro grande passo. O seu esforço garantirá uma percepção positiva da comunidade. Vejamos agora qual a melhor abordagem, mas para tanto terei de deduzir o tipo de dificuldade que você está enfrentando.

As comunidades geralmente se fecham para pessoas e instituições de fora, então, se você percebeu isso, sugiro identificar a principal liderança dessa comunidade, alguém em que ela realmente confia e com quem dialoga. Embora não precisem fazer parte da comunidade, ou melhor, viver diariamente com ela, alguns atores sociais são muito próximos das comunidades, como os religiosos, os educadores e voluntários. Eles são uma importante porta de entrada. Neste caso, a aproximação terá de ser feita primeiramente com eles. 

Se o problema for de indiferença ao problema, ou seja, você consegue entrar na comunidade, ter contato com ela, mas percebe que não há interesse em falar sobre o problema, o caminho poderia ser o de aproximar a imprensa local do tipo de risco ao qual a comunidade está direta ou indiretamente exposta.  Uma cobertura jornalística responsável, sem apelo ao medo e ao sensacionalismo e, de preferência, relatando a importância de um NUDEC, pode ser capaz de despertar o interesse e o envolvimento da comunidade. 

Essa indiferença pode ter algumas explicações. Quando uma comunidade já viveu um desastre e somente depois foi contatada pelas autoridades locais, ela tende a se fechar, a não confiar no gestor público. Quando a comunidade não percebe o risco, acha que nunca acontecerá nada ali, ela também tende a ser indiferente a toda e qualquer discussão do problema. 

Pode parecer muito difícil a aproximação com a imprensa local, caso esse tenha de ser o caminho, mas uma iniciativa corpo a corpo pode render bons resultados, além, claro, do potencial das mídias sociais. 

Se eu puder ajudar nessa aproximação, estou à disposição. 

Espero que minha resposta seja útil. 

QQuestion by Ms Jorimar Gomes

Como a Senhora destaca a importância das COMPDEC's na Gestão de Riscos e Desastres no Brasil? Por que ainda há dificuldades e desinteresses por parte dos gestores municipais de se criar um órgão de Proteção e Defesa Civil nos municípios brasileiros ?

Desde já agradeço...

Bom dia.

Ms Jorimar Gomes ADMINISTRATIVO | CEPDEC/RN
Brazil

APosted on 16 May 2015

Prezado Jorimar Gomes,

muito obrigada por sua pergunta.  

Majoritariamente, os desastres acontecem no município, assim, a criação de Coordenadorias Municipais de Proteção e Defesa Civil (COMPDECs) deveria ser a condição primária para o país conseguir sobrepor a cultura da prevenção à cultura do desastre, com a valorização e o reconhecimento de ações e programas de redução de risco de desastres. 

As COMPDECs, raras exceções, estão sempre muito próximas das comunidades, especialmente das mais expostas aos riscos, o que conta muito nos processos de comunicação de riscos. Isso, por si só, já justificaria a sua importância para os municípios brasileiros. 

Sobre a falta de interesse dos gestores municipais na criação de COMPDECs, gostaria de citar duas possíveis explicações: interesses escusos no desastre e falta de informação. 

Como a primeira demanda investigação apurada e responsável, prefiro focar na segunda, com a qual me sinto mais segura: a falta de informação dos gestores públicos. 

E aqui estamos falando de informação no seu sentido mais amplo. Muitos gestores municipais subestimam a criação de COMPDECs por não terem conhecimento sobre o que acontece no seu próprio município. Por desconhecerem a fundo a realidade da cidade onde atuam, tendem igualmente a  subestimar os impactos sociais, econômicos, culturais e políticos dos desastres. Falta visão sistêmica de muitos gestores, que não conseguem, por exemplo, estabelecer uma relação entre o modelo de crescimento e desenvolvimento do município e a construção social dos desastres. Infelizmente, a imprensa não especializada também ajuda a perpetuar esse modelo de administração pública, que só consegue enxergar o desastre e não os riscos.

Por outro lado, temos iniciativas importantes que podem reverter a situação. Uma delas é a Campanha Construindo Cidades Resilientes: Minha Cidade está se Preparando, do Escritório da ONU para Redução de Riscos de Desastres. 

Penso que iniciativas como essa ajudam a criar nos gestores municipais a cultura necessária para o fortalecimento de ações de RRD, mas conheço e entendo bem sua angústia. 


Espero ter conseguido responder a sua pergunta. 

QQuestion by Mrs Christiana Freitas

Dear Mrs. Victor, In your opinion, which risk communication model would be better in order to protect vulnerable groups and prevent human rights violations in disaster or emergency situations?

Mrs Christiana Freitas General Coordinator for Human Rigjhts Education | Secretariat of Human Rights - Precidency of the Re
Brazil

APosted on 15 May 2015

Dear Mrs. Freitas,

Thank you very much for your question, specially because vulnerable groups need to receive more attention when we are talking about disasters and disaster risk reduction. 

The four models are important to protect vulnerable groups, preventing human rights violations, but I should say that the institutions involved with risk communication are still not trained to the point of ensuring this rights. 

I can start my explanation of Media Model, because we know that after a good cover about this theme, the society or public opinion would have more strength to put government under pressure in order to give response to society’s expectations, but if the source of media, for example, a public agency, is not prepare to give correct information to the journalists, the media, unwittingly, could breach the human rights. 

How? In Brazil, for example, there are laws to protect the image of children; in other words, the journalists could not use the image of children in disasters, exploring their suffering, exposing them in constraint. 

And what we are watching is exactly the opposite: to show the problem, journalists have used the image of children, women and old people to build their narratives about disasters, perpetuating stereotypes.  

As these models are connected, because each one has its role and responsibilities, I believe that investment should be made in order to prepare professionals to use the potencial offered by each of four models. 

I hope that my answer could be useful. 

QQuestion by Dr Barbara Lucini

Dear Ms. Cilene Victor,

I am a social researcher in the fieldwork of crisis communication, disaster management and disaster resilience.

I was wondering about resilient communication, is there a specific guidelines or principles to be considered in the context of crisis communication or emergency management?

Thank you very much for your kind willingness,

Best wishes,

Barbara Lucini

Dr Barbara Lucini Phd | Catholic University of Sacred Heart - Milan - Ital
Italy

APosted on 15 May 2015

Dear Barbara Lucini,

First of all, thank you very much for your question. 

I have done use of a methodology by which consist in dividing a risk communication model in four other models. 

I have done it only to understand the dynamic of the risk communication in different contexts and with its different publics, objectives, goals, interests. After dividing the risk communication in four parts or models, I connect them again to have a risk communication process. 

Analyzing each part I could answer to you that the principles are: transparency, credibility and trust between the audience: society in general and the public agencies. 

Regarding guidelines, I wrote a report in which I suggest a step by step approach based on four models, sustained in these principles. To sum up, risk communication should consider: 1. who are the interlocutors (communicators and audiences); 2. what channels are better to each communication process; 3. what are the messages; 4. what is the better time and context to start a communication; 5. what is the level of credibility, trust and transparency etc.  

In my experience, I could say that it is impossible to think about risk communication without commitment with this triad, which can provide directions for a better risk communication. 

Please, let me know if my answer has helped you. 

QQuestion by Ms Sarah Cartagena

Dear Cilene,
Let me, first of all, congratulate you for the excellent models proposed.
The point I would like your opinion about is how we can encourage managers and public agencies to invest in risk communication in order to turn these models a continuous public policy for disaster risk reduction.
Many thanks!

Ms Sarah Cartagena Researcher | UDESC
Brazil

APosted on 15 May 2015

Dear Sarah,

thank you very much for your interesting in this discussion and for your question. 

I would like to share my answer in two parts. One of them is about “courage” of the public agencies to invest in risk communication. 

The disasters have showed that the government is afraid to show to society the size of the problem. Before and during disaster, public agencies try to hide information, which is a huge mistake because risk communication politics depend on transparency, credibility and trust between the audiences and the government. 

The second part is about “investment” in risk communication policy. I believe that the only way is see the risk communication being legitimated as a disaster risk reduction tool. It is a right of the citizens and a duty of the state. 

There is no more time to public agencies decide whether or not risk communication is important for DRR, this time is over! Now we need to start building ways to legitimate risk communication as an effective tool to save lives and reduce loses. 

I hope my answer has helped you. 

QQuestion by Mr Jahir Anicama

One time I read that the EME are "policy window" to apply the adaptation climate change policies. Because, the period of time of EME is more attractive than of Climate Change for policy makers.With this, Exist a "policy window" for the risk communication in the public health? PS: Communications offices are the most neglected in the Ministery of Health, at least in Peru. Thanks for your answer.

Mr Jahir Anicama Research | Cayetano Heredia Foundation
Peru

APosted on 15 May 2015

Dear Anicama,

First of all, thank you very much for your important question. 

In the context of public health, the emergencies demand more attention of governments, policy makers and the society in general. 

It happens because media hasn’t done appropriated covers about prevention, such as the adaption of climate change, but always gives an intensive cover about emergency. And the audience has a high level of involvement with emergency situations, it is because envolves suffering, specially of poor people. It is a perfect period to ask for answer of the governments, but unfortunately it is ephemeral. 

After the emergency period we think that the lesson could teach the society and the government to build a real and effective public health policies, and use the risk communication as an important tool, but it hasn’t happened. 

I believe that the best context to policy window for risk communication is when media starts to see the invisibility of the risks; when the media starts to cover about prevention, because the constitution of public opinion is deeply connected with the role of media. 

And the role of an effective public opinion is put the policy makers under pressure. I imagine a simple cicle: 1. media capability to cover risk; 2. media starts to cover more about risk; 3. society (audience) starts to know more about risk; 4. media covers about risk plus the interesting of society starts to build public opinion; 5. public opinion starts to charge response of government; 6. policy makers start to give answers due public policy. 

Reading your question, I can conclude that maybe we have a big challenge in South America that it is training the media to build the public opinion to policy windows in public health. 

Here in Brazil is not different from Peru. Risk communication is neglected in both countries.

I hope I had answered your question! 

THIS SESSION CONCLUDED ON

17
May
2015